Histórico de utilização da informática na educação

Valente (1999)

ressalta que desde a década de 50,
quando surgiram os primeiros microcomputadores, que
experimentos são realizados utilizando a informática na
educação, apesar de o objetivo nesta época ser apenas
armazenar e disponibilizar informações, assim, faz-se
importante ressaltar que a realidade deste período
difere-se muito da realidade atual dos dispositivos
portáteis com tela interativa, internet móvel e maior
capacidade de processamento e memória.
Contudo, é na década de 70 que as universidades
no Brasil e em outros países começaram a realizar
estudos e promover seminários e conferências sobre o
assunto, como na Universidade de São Carlos em 1971,
onde foi realizado um seminário sobre o uso da
informática no ensino de Física e no Rio de Janeiro, onde
aconteceu em 1971 a Primeira Conferência Nacional de
Tecnologia em Educação Aplicada ao Ensino Superior – I
CONTECE.
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Em 1975, os professores Seymour Papert e Marvin
Minsky, do laboratório Logo do
Massachusetts Institute
of Technology –
MIT, visitaram a Unicamp e, a partir
deste encontro, nasceu o projeto para a utilização no
Brasil de computadores na educação utilizando a
linguagem Logo (CHAVES, 1983).
Vários estudantes de pós-graduação se
interessaram pelo projeto, como Maria Cecília Calani
(1981), e nesse contexto, em 1983, foi criado o Núcleo
de Informática Aplicada à Educação (NIED).
Também na Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFRGS), no início da década de 80, criou-se o
Laboratório de Estudos Cognitivos (LEC), do Instituto de
Psicologia, onde atuou a profa. Dra. Léa da Cruz
Fugundes, o qual utilizou a linguagem Logo com crianças
em escolas públicas que apresentavam estudantes com
dificuldades de aprendizagem, buscando promover a
aprendizagem autônoma dessas crianças (BONILLA;
PRETTO, 2000; BUSTAMANTE, 2013).
A linguagem Logo foi desenvolvida por Seymor
Papert e Wally Feurzeig no final dos anos 60, no MIT, em
Cambridge. A equipe do NIED da Unicamp traduziu para
o português do Brasil uma versão da linguagem chamada
SuperLogo (VALENTE; ALMEIDA, 1997).
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Trata-se de uma linguagem que foi desenvolvida
para ser usada por crianças, com a filosofia da educação
de inspiração piagetiana, em que a criança aprende
explorando e criando o ambiente com regras que ela
mesma impõe. Papert havia estudado com Jean Piaget
entre 1958 e 1963 e incorporou à linguagem conceitos
do construtivismo. A linguagem Logo geralmente é
apresentada por uma tartaruga que se move no espaço
ou na tela como resposta aos comandos que o usuário
fornece por meio do computador (VALENTE; ALMEIDA,
1997).
A resposta imediata torna essa linguagem divertida
e mais fácil de aprender, tornando este processo
explícito e refletindo sobre o mesmo a fim de
compreendê-lo e depurá-lo, o que é muito difícil de se
conseguir por meio dos meios tradicionais de ensino
(VALENTE, 1993).
A linguagem Logo exige que o usuário, por meio
dos comandos para movimentar a tartaruga, explore
conceitos de diferentes domínios, como matemática,
física, etc e habilidades de resolução de problemas,
planejamento e programação, além de noções de direção
e orientação pelo fato de a tartaruga estar em algum
lugar, ou seja, em uma posição (GREGOLIN, 2008

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